1. Como Aconteceu?

Em julho/18, correndo os 45K da Ultramaratona de montanha dos Perdidos, me distraí por um momento e CRACK… Lá se foi meu tornozelo! Km 11, logo no início de uma das provas com o visual mais incrível e que estava louco para completar. Estava inteirasso na prova, largamos ainda no escuro em um frio de rachar! Tinha acabado de ver o mais bonito nascer do Sol.

Já tinha passado a primeira grande subida do Morro dos Perdidos e comecei a descer rápido. Havia estudado bem a prova e a altimetria e sabia que ali seria a parte mais rápida que faria.

Saí do terreno de altitude e entrei em um estradão de terra e pedregulhos. Estava descendo forte e bem concentrado. Logo, no final do estradão, entrei em uma parte de mata mais fechada. Foi nesta parte, que cometi um erro! Na adrenalina do descidão, estava forte de mais em uma parte que não deveria e nem precisaria estar tão rápido… Um momento de distração, meu pé engatou em uma raiz de árvore, girou e torceu para fora e, ainda para completar, caí em cima do pé, torcendo e ouvindo aquele CRACK!

Dor indescritível! Não consegui nem ter reação, nem levantar… sabia que tinha sido sério… Logo veio o inchaço. Outros corredores da prova, vinham e me ofereciam ajuda, mas naquele momento não havia nada o que fazer… Pequei meu kit de primeiros socorros, passei spray Biofenac, tomei um Advil e fiz uma bandagem com a atadura. Me arrastei andando com muita dor por uns dois ou três quilômetros até chegar em um PC (Posto de Controle da prova) e de lá fui resgatado de carro pela organização.

Dor indescritível! Não consegui nem ter reação, nem levantar… sabia que tinha sido sério… Logo veio o inchaço. Outros corredores da prova, vinham e me ofereciam ajuda, mas naquele momento não havia nada o que fazer… Pequei meu kit de primeiros socorros, passei spray Biofenac, tomei um Advil e fiz uma bandagem com a atadura. Me arrastei andando com muita dor por uns dois ou três quilômetros até chegar em um PC (Posto de Controle da prova) e de lá fui resgatado de carro pela organização.

Dizem por aí que quando o atleta está no topo do treinamento, há que se tomar muito cuidado com lesões. Pois eu estava no topo! Vindo de uma sequência de provas e treinos fortes, me sentia no melhor momento de meu corpo, na melhor fase. Estava pronto para completar os 45K desta prova e que iria me servir de treino longo para os 80K da La Mision Serra Fina, que viria 1 mês depois. E, juntando todo o treinamento do ano, estaria pronto para um bom desempenho no El Cruce 100K no chile em dezembro.

2. E agora, o que fazer? Em qual médico confiar?

De volta a São Paulo, comecei a saga do tratamento. No PS do hospital fiz raio-x e uma tomografia e fui para casa engessado. No dia seguinte, procurei e fiz consulta com três especialistas ortopedistas e fiz também uma Ressonância Magnética, que constatou a fratura  do maléolo medial e o rompimento de dois ligamentos.

Nos especialistas que fiz consulta, dois indicaram a cirurgia e outro disse que poderia tratar de modo conservador. No meu caso, todos estavam corretos, era um caso de ficar “em cima do muro”…. O mais difícil é escolher aquele que você mais vai confiar e “entrar de cabeça” no tratamento.

Ficam as perguntas martelando a minha cabeça… Operar? Esperar e tratar conservador? Meu esporte estava sentenciado ao fim??? E agora?

Primeiro, calma! Nem tudo é assim…. conversei com o Andre (André Lima – Lobo adventure), meu treinador, busquei opiniões diferentes e fui me inteirando do assunto. Fiz uma consulta com a Dr. Ana Paula Simões que me explicou passo a passo o tratamento e que, havia sim tratamento e chance sim de voltar ao esporte. Não seria fácil, mas totalmente possível. E foi lá, no Instituto Reaction – clinica que ela atende com equipe de fisioterapia integrada, que eu escolhi para confiar e me “jogar de cabeça do tratamento”

3. Qual tratamento seguir?

Em um primeiro momento, optei por tentar o tratamento conservador enquanto dava entrada na papelada para a cirurgia pelo convênio, o que demoraria uns 15 a 20 dias… Naquele momento, comecei a fisio, supervisionada pelo Dr. Marco Tulio França e toda a equipe do Instituto Reaction. Consistia em analgesia para diminuir o inchaço. Laser, ultrassom, Tens e muito gelo.

Consegui uma evolução boa, desinchou bastante e estava todo confiante!

Com 20 dias fiz uma nova Ressonância magnética e, na maior esperança de um resultado do tipo: “está no caminha certo”, veio a realidade… Nada e nenhum sinal de consolidação do osso fraturado e ainda ligamentos rompidos.

Poderia tentar o tratamento conservador por mais um mês e outro mês e mais mês….. Conversei bastante com a Dr. Ana e toda a equipe da fisio e, realmente, a cirurgia seria o melhor caminho.

Pensar nesses pontos abaixo e assumir certas verdades para si vai ajudar na escolha do melhor tratamento:

– TENHO PRESSA – Sou atleta e tenho pressa! Assumir isso é importante. A lesão foi em julho, cancelei todas as provas que estava inscrito, menos o El Cruce no Chile 100KM em dezembro. Como uma meta, audaciosa, mas uma meta! Possível? Sim. Pouco provável, teria que me esforçar muito e o corpo e o tempo é quem iriam mandar.

– PERFORMANCE – Sou ultramaratonista de montanha, meu tornozelo precisa de performance! Naquele momento me dei conta que não sou mais um amador de final de semana… com todo treinamento que faço e as provas que participo, estava em um patamar profissional. Não que eu esteja no grupo de elite do Trail Mundial, mas é evidente que precisa estar 100% para continuar no esporte, sem dor e, sim, com performance de correr 30, 50, 100 KM na montanha. Pois é isso o que eu gosto de fazer.

– É O CORPO QUE MANDA –  Isso é fato e demorei para assimilar. Mas é ele quem vai determinar o tempo de cada etapa da recuperação. ESSE É O MAIS IMPORTANTE APRENDIZADO. Não adianta suas metas e objetivos, ele é que vai mandar!

Fiz a cirurgia em agosto, quase um mês depois da lesão. Não foi tempo perdido. O corpo está no comando, lembra? Poderia sim ter dado resultado no tratamento conservador e a fisioterapia havia preparado meu tornozelo para um melhor resultado na cirurgia e criamos aquela certeza que tentamos de tudo e que estamos no caminho certo.

4. Fisioterapia

No pós cirurgia o quadro mudou. O que não doía tanto, estava doendo pra caramba! Muitos cuidados com os pontos, que não poderiam em hipótese nenhuma infeccionar. Isso atrasaria todo o tratamento.

De início a fisioterapia consistia em novamente diminuir o inchaço e o edema pós cirúrgico. Continuei a fazer fisio todos os dias. A dor era intensa. Sentia fortes pontadas e dores que me assustavam e me deixava preocupado.

A constante conversa com a equipe de fisioterapia do Instituto Reaction foi de extrema importância.

15 dias após a cirurgia, a Dra Ana Paula avaliou e considerou ok para retirar os pontos. Estavam sequinhos já cicatrizando.

Após tirar os pontos o tratamento começou a evoluir rapidamente. Já estava levemente movimentando para frente e para trás o tornozelo.

Eu tinha um receio de engordar, já que a lesão cortou radicalmente minha série de exercícios físicos. Que nada…. acabei emagrecendo 4 kilos… Não! Isso não é regime…  era sinal que havia perdido bastante massa corporal (músculos)….

De fato, olhando minhas pernas, a lesionada, estava bem mais fina. Perdi muito minha musculatura da panturrilha, coxa e no corpo todo em geral.

Fisioterapia na piscina – Fez toda diferença

Fazer parte da fisioterapia na piscina foi um diferencial na evolução do tratamento. A fisioterapeuta Rafa (Rafaela Delarissa) me acompanhou quase que diariamente aplicando os exercícios na água. Sem impacto, por conta da água, é uma grande vantagem e fui trabalhando o movimento no tornozelo, recuperando a confiança nas pisadas e fomos evoluindo.

Com uns 30 dias da cirurgia começamos um trabalho de fortalecimento mais intenso e foi na entrada da sexta semana que fui liberando a muleta.

Nesta etapa a dor da musculatura atrofiada voltando ao movimento é intensa. Dor muscular proveniente dos exercícios é diferente da dor da lesão.